Ilustração de contador equilibrando-se em tábua sobre abismo, simbolizando projetos de IA autônoma Gartner e risco de cancelamento.

A consultoria Gartner projetou, em 25 de junho de 2025, que mais de quatro em cada dez projetos de inteligência artificial agêntica poderão ser cancelados até o fim de 2027. A previsão, que vale como alerta para empresas que investem em agentes capazes de executar etapas de trabalho com autonomia, aponta custos crescentes, falta de clareza sobre o retorno e controles de risco insuficientes.

Segundo a análise original da Gartner, o número é uma projeção, e não um balanço de iniciativas já encerradas. Ele também se refere especificamente à IA agêntica, e não a todos os projetos de inteligência artificial.

Como a IA agêntica se diferencia de outras ferramentas

Nesse tipo de aplicação, um agente recebe um objetivo e executa uma sequência de ações para alcançá-lo, interagindo com sistemas e tomando decisões dentro dos limites definidos pela empresa. Isso é diferente de usar uma ferramenta para responder perguntas ou resumir documentos. Para funcionar em uma rotina empresarial, o agente costuma precisar de acesso a dados, integração com outros programas, critérios de decisão e acompanhamento dos resultados.

A Gartner alerta ainda para o uso do termo “agêntico” em produtos que apenas renomeiam funcionalidades de assistentes, chatbots ou automações já existentes. O nome comercial de uma ferramenta, portanto, não comprova sua capacidade de executar um processo com autonomia.

O que isso significa para o escritório contábil

Um escritório pode encontrar oportunidades para automatizar etapas como organização de documentos, identificação de divergências e distribuição de tarefas. Antes de permitir que um agente execute ações em sistemas ou trate dados de clientes, porém, é preciso definir qual problema será resolvido e como o resultado será avaliado.

Vale começar por uma rotina delimitada, medir tempo, custo e qualidade e estabelecer quem revisará as saídas. Também é necessário decidir quais dados a ferramenta poderá acessar e em que situações uma pessoa deverá autorizar a etapa seguinte. Nem toda tarefa exige um agente autônomo: se uma automação convencional resolve o problema com menos custo e mais previsibilidade, essa comparação deve fazer parte da decisão de investimento.

A previsão não é um argumento para abandonar a IA. Ela chama atenção para a diferença entre experimentar uma ferramenta e manter uma aplicação útil, controlada e economicamente justificável. A própria Gartner recomenda priorizar casos de uso com valor demonstrável.

O que muda na sua vida, contador?

  • Antes de adotar um agente de IA, defina um problema específico e um indicador de resultado, como tempo economizado ou taxa de erro.
  • Estabeleça quem revisa as saídas do agente e em quais etapas uma pessoa precisa autorizar a ação seguinte.
  • Restrinja o acesso do agente aos dados de clientes ao mínimo necessário para a tarefa.
  • Compare o custo do agente com o de uma automação convencional antes de fechar contrato ou desenvolvimento.
  • Comece com uma rotina delimitada, como organização de documentos, e só amplie o escopo após medir os resultados.

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