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Inflação de alimentos e serviços pesa no bolso e deve seguir acima da meta

Alimentos e serviços puxam a inflação acima da meta. Veja o que pressiona clientes e empresas e o que esperar para o resto do ano.

Ilustração de consumidor empurrando carrinho pesado de supermercado, representando a inflação de alimentos e serviços no bolso.

A inflação de alimentos e serviços voltou a pressionar o custo de vida das famílias e das empresas brasileiras. Em setembro, o IPCA subiu 0,88%, e o índice ultrapassou novamente o teto da meta, de 4,5%. Depois de alguns meses de alívio, os preços da comida voltaram a subir e a inflação de alimentos e serviços segue como um dos principais vetores do custo de vida.

Após três meses seguidos de queda, o grupo de alimentos e bebidas subiu 0,83% em setembro, com impacto de 0,18 ponto na inflação geral. Produtos que haviam aliviado a conta do supermercado, como tomate e batata, passaram a pesar mais: subiram 37% e 24%, respectivamente, em razão das chuvas acima da média no Sudeste. Cebola, arroz e carnes também entraram na lista de altas. Já o frango e algumas frutas sazonais ajudaram a amenizar o movimento.

A alimentação fora de casa também ficou mais cara, com alta de 0,48% em setembro. As refeições em restaurantes subiram 0,49%, e os lanches, 0,47%. Para o contador que atende restaurantes, lanchonetes e padarias, isso significa custos de insumo e de operação em alta, o que costuma chegar ao preço final do cardápio nos meses seguintes.

Alimentos pesam mais no orçamento de quem ganha menos

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a compra de alimentos consome entre 22% e 25% da renda das famílias mais pobres, e entre 18% e 20% nas faixas mais altas. Em sondagem da própria FGV feita em agosto, 81,9% dos entrevistados citaram a alimentação como a despesa de maior impacto no orçamento, percentual que sobe para 87% entre quem ganha até dois salários mínimos.

Os dados do IBGE mostram que 69,1% dos trabalhadores ocupados recebem até dois salários mínimos. Entre abril de 2020 e agosto de 2026, os preços da refeição em casa subiram 60,8%, acima da inflação geral de 42,7% no mesmo período, e os alimentos também superaram o rendimento médio dos trabalhadores.

As perspectivas para os próximos meses não são de alívio imediato. A Conab projeta safra recorde de grãos para 2026-27, mas o El Niño intenso e o excesso de chuvas no Centro-Sul podem prejudicar a produtividade. Além disso, o petróleo acima de US$ 100 o barril encarece fertilizantes, transporte e insumos agrícolas. A projeção é que a inflação de alimentos e bebidas feche 2026 em 6,7%, bem acima dos 2,95% de 2025 e dos 5% estimados pelo boletim Focus.

O que muda na sua vida, contador?

  • Alimentos e bebidas devem fechar 2026 em 6,7% de alta, contra 2,95% em 2025, segundo a projeção citada.
  • Restaurantes e lanchonetes clientes do escritório devem rever preços e custos de insumos ao longo do próximo trimestre.
  • Clientes de baixa renda tendem a reduzir outras despesas, o que pode afetar o faturamento de pequenos comércios.
  • Vale acompanhar o IPCA mensal e a evolução do preço dos fertilizantes, que influenciam o custo da safra.
  • Empresas com repasse de preços devem revisar contratos e reajustes de serviços para acompanhar a inflação.

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Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso. Confira sempre a norma oficial. Termos de Uso

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