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Crítica de André Lara Resende aos juros altos reacende debate fiscal

Entenda a crítica de André Lara Resende sobre juros do Banco Central e desequilíbrio fiscal, e o que isso significa para as contas públicas e o crédito.

Ilustração de um banqueiro central equilibrando-se sobre um fio enquanto uma alavanca gigante de juros desequilibra a balança das contas públicas, tema de juros do Banco Central e desequilíbrio fiscal.

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, publicou em 25 de setembro um artigo em que acusa a política de juros do Banco Central de ser a principal causa do desequilíbrio fiscal que, segundo ele, a autoridade deveria combater. A tese ganhou repercussão depois que a ex-ministra Gleisi Hoffmann elogiou o texto neste domingo (1º), e reacendeu a discussão sobre o peso dos juros altos nas contas do país.

No artigo, Lara Resende reconhece que o Brasil gasta mal e cita emendas parlamentares, privilégios do Judiciário, isenções fiscais e subsídios. Para ele, porém, excluído o serviço da dívida, as contas públicas estariam praticamente equilibradas, com déficit primário pequeno na comparação internacional. Na visão do economista, o debate sobre ajuste fiscal se concentra nas despesas primárias e deixa de lado o efeito dos juros sobre a dívida.

Juros, crédito e investimento

Em evento do CEBRI em 23 de outubro, o economista afirmou que os juros reais brasileiros estão entre os mais altos do mundo e resumiu o raciocínio com a frase “Ela está alta, porque ela foi alta”. Segundo ele, a taxa teve justificativa em um contexto anterior, mas permaneceu elevada mesmo depois que as condições que a motivaram mudaram.

Lara Resende sustenta que os juros elevados prejudicam o investimento produtivo, encarecem o crédito para empresas e famílias e favorecem a concentração de renda, por transferirem recursos para quem tem aplicações financeiras. Ele também questiona a referência às expectativas do boletim Focus e a aplicação da Curva de Phillips nas decisões do BC, argumentos que ainda não são consenso entre economistas.

Como alternativa, o economista propõe um Conselho Fiscal e Monetário para coordenar as políticas fiscal e monetária, com metas de médio prazo e uma faixa de juros entre 3% e 5,5% ao ano. A transição levaria a taxa básica a cerca de 7,5% ao ano em 12 meses, com uso das reservas internacionais para suavizar eventual desvalorização do real. Até o momento, porém, não há agenda confirmada entre o presidente Lula e o economista, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Confira as informações oficiais do Ministério da Fazenda.

O que muda na sua vida, contador?

  • A proposta ainda está em fase de debate e não altera a taxa Selic nem as regras de crédito hoje em vigor.
  • Para o contador, o ponto central é o custo da dívida, que pesa no resultado fiscal e na projeção de receitas e despesas dos clientes.
  • Empresas que dependem de financiamento devem acompanhar as decisões do Copom e planejar o fluxo de caixa com cenários de juros diferentes.
  • Escritórios podem orientar clientes sobre o efeito dos juros altos no investimento e no endividamento.
  • Vale acompanhar os próximos pronunciamentos do governo e do Banco Central sobre a política fiscal e monetária.

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Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso. Confira sempre a norma oficial. Termos de Uso

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