Selic: mercado aposta em pausa do Copom após piora fiscal pós-eleição
Maior parte dos analistas projeta pausa nos cortes da Selic pelo Copom após piora das contas públicas e do cenário pós-eleição. Veja os motivos.
A maior parte dos analistas do mercado financeiro aposta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompa os cortes da Selic na reunião desta semana. A projeção vem após a piora na percepção sobre as contas públicas depois do resultado da eleição presidencial.
Das 105 instituições ouvidas pelo jornal Valor, 72 acreditam que o colegiado manterá a taxa básica em 13,75% ao ano. Outras 33 projetam ao menos mais um corte de 0,25 ponto percentual. Ou seja, a pausa é a aposta majoritária, mas não unânime.
Na avaliação dos analistas, pesam três fatores. O primeiro é a deterioração das expectativas de inflação. O segundo é a inflação corrente mais persistente, afetada pelo El Niño, pelo fim da escala 6×1, pela reforma tributária e pelo possível fim do subsídio aos combustíveis. O terceiro é a visão de que o Banco Central segue como o principal anteparo diante da piora do risco fiscal.
Pressão política por juros menores
Enquanto o mercado espera a manutenção da Selic, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado insatisfação com o nível dos juros. Segundo a reportagem, ele passou a ouvir auxiliares e economistas sobre alternativas para viabilizar uma queda da taxa, e busca perfis mais heterodoxos para quatro vagas na diretoria do BC que poderão ser preenchidas até fevereiro de 2027.
Na prática, para quem acompanha a política monetária, a sinalização de que o governo pode tentar mudar a composição do Copom aumenta a incerteza sobre os juros de longo prazo. Para o contador, isso se traduz em cenário de custo de capital ainda alto por mais tempo, o que pesa em decisões de financiamento, parcelamentos e reinvestimentos de seus clientes.
O que muda na sua vida, contador?
- Se o Copom pausar os cortes, a Selic deve permanecer em 13,75% ao ano por mais tempo, mantendo o custo do crédito elevado.
- Empresas com dívidas atreladas à taxa básica devem revisar o fluxo de caixa e os prazos de amortização antes de contratar novos financiamentos.
- Clientes que pensam em investir em renda fixa podem se beneficiar de juros ainda altos, mas devem acompanhar a evolução das expectativas de inflação.
- Vale acompanhar a comunicação do Copom após a reunião desta semana e as nomeações para a diretoria do BC previstas até fevereiro de 2027.
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