Regime híbrido no Simples Nacional: como decidir antes de 30/10
Entenda como funciona o regime híbrido no Simples Nacional, quais critérios pesar na decisão e qual o prazo para optar pelo recolhimento regular de IBS e CBS.
A partir de 2027, empresas optantes pelo Simples Nacional poderão escolher como recolher o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A opção pelo regime híbrido no Simples Nacional permite apurar esses dois tributos separadamente, pelo regime regular, enquanto os demais continuam no DAS. O prazo para essa escolha vai de 1º de setembro a 30 de outubro de 2026.
Como funcionam as duas opções
No modelo tradicional, a empresa segue recolhendo IBS e CBS dentro do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). A vantagem é concentrar o pagamento em uma única guia, o que simplifica a rotina. Ainda assim, o empresário precisa avaliar como esse formato afeta a transferência de créditos tributários para os clientes.
No modelo híbrido, a empresa permanece no Simples para os demais tributos, mas apura IBS e CBS conforme as regras gerais, inclusive quanto ao aproveitamento e à transferência de créditos, observadas as condições legais. Essa alternativa costuma interessar mais a empresas que vendem para outras pessoas jurídicas, cujos compradores consideram os créditos na escolha do fornecedor. Por outro lado, exige organização fiscal e controle maior das operações.
Critérios para pesar antes de decidir
A escolha deve ser individualizada. Peça ao contador uma simulação com os dados reais do negócio, considerando:
Perfil dos clientes: verifique se os compradores valorizam o aproveitamento de créditos de IBS e CBS na negociação e na escolha de fornecedores.
Estrutura de custos: nem todo gasto dá direito a crédito. A equipe precisa identificar quais despesas efetivamente geram crédito, sem presumir que todas sejam aproveitáveis.
Margem de lucro: negócios com margens apertadas devem medir como cada alternativa afeta o resultado e a competitividade no setor.
Formação de preços: avalie se será possível manter preços, renegociar contratos ou repassar eventuais diferenças. O efeito depende também dos créditos e da dinâmica comercial, e não apenas da alíquota.
Fluxo de caixa e rotina fiscal: recolher IBS e CBS separadamente exige atenção aos prazos de pagamento, aos controles internos e à preparação de sistemas e processos.
Empresas que vendem para outras empresas
Quando a venda é feita a consumidores finais, a possibilidade de aproveitamento de créditos normalmente não pesa da mesma forma. Já nas operações entre pessoas jurídicas, o tratamento dos créditos pode alterar o custo efetivo da compra para o cliente. Por isso, o fornecedor do Simples precisa comparar sua competitividade com concorrentes que estejam no regime regular.
Isso não significa que toda empresa que vende para outras pessoas jurídicas deva optar pelo modelo híbrido. O resultado depende do enquadramento, dos créditos admitidos, da formação de preços e das condições de cada operação. Com dados reais de faturamento, compras, despesas e perfil dos clientes, a decisão deixa de depender de suposições.
Qual é o prazo
Para o período de janeiro a junho de 2027, a opção pelo recolhimento regular de IBS e CBS deve ser feita entre 1º de setembro e 30 de outubro de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027, conforme as regras divulgadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.
Não confunda com a solicitação de ingresso ou retorno ao Simples Nacional, cujo prazo terminou em 15 de outubro de 2026. Quem já integra o Simples não precisa solicitar novamente a permanência, salvo situações específicas.
O que muda na sua vida, contador?
- A opção pelo regime regular de IBS e CBS deve ser feita entre 1º de setembro e 30 de outubro de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
- Peça ao contador uma simulação comparando o modelo tradicional, no DAS, com o híbrido, usando dados reais do negócio.
- Verifique quais clientes valorizam o aproveitamento de créditos de IBS e CBS antes de decidir.
- Confirme quais despesas efetivamente geram crédito, sem presumir que todos os gastos sejam aproveitáveis.
- Ajuste controles internos, prazos de pagamento e sistemas para apurar os tributos separadamente, se optar pelo híbrido.
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