Entidades que representam o comércio e os serviços, dois terços da economia, pediram aos candidatos à Presidência ajuste fiscal, segurança jurídica e neutralidade tributária para o próximo governo. O pedido vem em um momento de desaceleração da demanda e de margens financeiras cada vez mais apertadas.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o comércio cresceu 1,6% nos sete primeiros meses de 2026, ante 4,7% em 2024. Os serviços passaram de 3,1% para 1,9% no mesmo intervalo. Para a entidade, o setor tem registrado expansão média inferior a 2% ao ano nos últimos anos.
A alta dos juros pesa sobre o caixa das empresas. Entre as 40 maiores empresas de bens de consumo e varejo, as despesas financeiras consumiram 45% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2025, de acordo com a FecomercioSP. No segundo trimestre deste ano, os pedidos de recuperação judicial subiram 58% em relação ao mesmo período de 2023.
Reforma tributária e a neutralidade da carga
Na Reforma Tributária, a CNC defende que a transição não aumente a carga sobre as empresas, principalmente as do setor de serviços. A entidade também pede que o comitê gestor defina e divulgue, de forma objetiva, as alíquotas que serão praticadas, para que o empreendedor consiga se organizar. Para a CNC, a neutralidade é a garantia de que a nova tributação não encareça a operação justamente em um momento de dificuldade financeira.
O setor também avalia que o controle de remessas internacionais pelo Programa Remessa Conforme ajudou a combater a concorrência desleal. Em contrapartida, critica o fim do imposto de importação sobre compras de até 50 dólares, confirmado pelo Congresso em setembro, por criar uma assimetria prejudicial às empresas locais.
Já a FecomercioSP cobra um ajuste fiscal, com a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) próxima de 84% neste ano. Para o economista Antonio Lanzana, o país precisa de um superávit primário de 2% a 2,5% do PIB, o que exige mudar o regime fiscal.
O que muda na sua vida, contador?
- A transição da Reforma Tributária pode alterar a carga sobre empresas de serviços, por isso vale acompanhar as alíquotas que o comitê gestor divulgar.
- Empresas que vendem para o consumidor final precisam ficar atentas ao fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares.
- Mudanças frequentes nas regras trabalhistas, como o debate sobre a escala 6×1, exigem que o escritório acompanhe o cliente de perto.
- Com juros altos, o contador deve reforçar o planejamento de caixa e o monitoramento das despesas financeiras dos clientes.
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