As consultorias de Orçamento da Câmara dos Deputados e do Senado Federal publicaram uma nota técnica conjunta sobre o projeto de Lei Orçamentária de 2027 (PLN 24/26). O documento aponta divergências entre as projeções do governo e as do mercado financeiro, além da necessidade de ajustes em despesas, como as do Bolsa Família.
Onde as projeções do Orçamento 2027 divergem
Segundo a nota, as projeções econômicas para 2026 são semelhantes. Já para o período de 2027 a 2029, há diferenças importantes nas estimativas de crescimento da economia, de inflação e de taxa de juros.
- Inflação em 2027: o mercado projeta 4,31%, enquanto o governo indicou 3,6% no projeto.
- Resultado primário em 2027: o governo trabalha com superávit de R$ 14,22 bilhões (0,10% do PIB). As projeções de mercado apontam déficit primário de 0,40% do PIB, segundo o Relatório Focus de 18 de setembro de 2026.
- Dívida líquida em 2027: o governo estima 74,2% do PIB, e o mercado, 73,7%.
Esses indicadores influenciam as previsões de receitas e despesas, por isso a diferença entre as projeções pesa no resultado final do Orçamento.
Gastos que não estão no projeto
O projeto de 2027 não prevê o impacto da decisão judicial que acabou com a idade mínima para a aposentadoria especial, nem da futura entrada em vigor dessa aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Após o envio ao Congresso, também foi decidido um reajuste de cerca de 15% nos benefícios do Bolsa Família.
Investimentos e suplementação de despesas
As dotações para investimentos somam R$ 297,6 bilhões, valor 17,6% superior ao previsto no projeto de 2026. Porém, parte desse crescimento vem da reclassificação de reserva destinada às emendas parlamentares de execução obrigatória, por isso não representa aumento efetivo.
A nota também destaca a ampliação da possibilidade de suplementar despesas sem aval do Legislativo. Gastos que podiam ser elevados em até 25% sem autorização agora podem subir 30%. Mesmo assim, o governo precisará indicar cortes em outras despesas para fazer essa suplementação.
Para contadores e empresas que acompanham o cenário fiscal, o ponto de atenção é acompanhar as revisões do projeto no Congresso e comparar as premissas de inflação, juros e crescimento com as usadas em seus planejamentos. Vale consultar a íntegra da nota técnica conjunta no portal do Senado Federal e os dados oficiais no site do Ministério da Fazenda antes de tomar decisões.

