O governo federal zerou os tributos federais cobrados sobre a gasolina e ampliou os subsídios ao etanol e ao diesel importado. As medidas têm custo estimado de R$ 5,2 bilhões por mês. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9), no contexto do IPCA de setembro, que subiu 0,82% e voltou a pressionar a inflação, sobretudo com a alta dos combustíveis e dos alimentos.
O que muda com a zeragem da gasolina
A equipe econômica anunciou a redução a zero dos tributos federais sobre a gasolina. A medida busca conter o preço do combustível na bomba para o consumidor. Além disso, o governo ampliou os subsídios ao etanol e ao diesel importado, com o objetivo de segurar os preços desses produtos.
Para ter uma ideia da dimensão, o conjunto de medidas tem os seguintes números:
- Custo estimado: R$ 5,2 bilhões por mês para conter o preço dos combustíveis;
- Publicação de medida provisória que libera R$ 7,5 bilhões para segurar o preço do diesel;
- Total de medidas relacionadas aos combustíveis estimado em cerca de R$ 55,5 bilhões, somando subvenções já bancadas por créditos extraordinários e subvenções ainda a serem pagas.
Custo fiscal e receitas extras com petróleo
Segundo o levantamento sobre as medidas, o montante de cerca de R$ 55,5 bilhões em ações ligadas aos combustíveis supera as receitas extras com petróleo, estimadas em cerca de R$ 50 bilhões. Ou seja, a conta das desonerações e dos subsídios é maior do que o ganho adicional obtido com a alta do petróleo.
Reflexo na inflação de setembro
O IPCA de setembro foi de 0,82%, o maior patamar desde março de 2026, quando o índice ficou em 0,88%. O resultado foi pressionado pelo fim do Bônus de Itaipu e pela reversão de preços de energia. Em agosto, o índice havia registrado deflação de 0,34%. A alimentação também subiu com força, em razão da sazonalidade e de efeitos climáticos.
Por isso, a zeragem dos tributos sobre a gasolina e os subsídios têm papel relevante no comportamento dos preços de combustíveis, um dos itens que mais influenciam o índice. Ainda assim, a trajetória da inflação depende também de outros fatores, como os alimentos e os núcleos de preços.
O que o contador e a empresa devem fazer
Para o contador, o ponto de atenção é acompanhar as alterações tributárias sobre combustíveis, que afetam custos de frete, logística e insumos. Empresas com grande consumo de gasolina ou diesel devem revisar o orçamento para os próximos meses e checar a aplicação dos benefícios nas notas fiscais. Vale consultar as orientações oficiais da Ministério da Fazenda e da Receita Federal para confirmar como as medidas serão aplicadas na prática.

